Já faz alguns anos quando li a primeira notícia de que o D-Edge iria sofrer uma expansão e assim abrigar um público maior que a capacidade de 400 pessoas. Apesar de pequeno, isso não era um problema: o clube comumente figura na lista dos melhores do mundo em publicações especializadas internacionais. O espetacular line-up composto pelos melhores e mais conceituados DJs do Brasil e exterior, em conjunto com o projeto cenográfico de Muti Randolph tornaram o D-Edge um clube de respeito.
Mas Renato Ratier, DJ e proprietário da casa, decidiu que sairia da zona de conforto e resolveu encarar uma ampliação do espaço físico do clube. Depois de imprevistos com a compra do prédio vizinho e questões estruturais do terreno, eis que em 2010, seis anos após a primeira notícia de que o clube seria ampliado, o dia 26 de Novembro de 2010 chegou. Esta foi a data da inauguração do D-Edge 2.0 com a noite Freak Chic.
Foram escalados Luiz Pareto, Davis, Márcio Vermelho, Márcio Careca, Ad Ferrera, Houssein Jarouche além de Ratier. O alemão Henrik Schwarz foi o convidado internacional.
Cheguei cedo, um pouco antes de 1h da manhã, porque imaginei que estaria muito cheio e com fila. E sim, havia uma fila que além de grande... não andava. Eu já estava quase desistindo, quando uma hora e meia depois, me deparei com a fachada do novo D-Edge: um enorme e imponente cubo metálico, com um recorte de janela que vazava luzes de laser. Uma cerveja para relaxar e a espera brochante foi apaziguada.
Entrei às 3h da manhã.
Na entrada, um corredor largo com caixas em forma de cubos brancos onde peguei a comanda de consumo.
Por onde começar? Subi dois ou três lances de escadas.
- Espere um momento, por favor, está muito cheio aqui, informou o segurança.
Depois de ter ficado duas horas na fila, definitivamente não queria ouvir a palavra espera. Desci. Entrei na nova pista. E aquele momento dividiu a noite em "antes e depois". Filetes simétricos de luz atravessam todas as paredes, chão e teto. As cores são vibrantes, intensas. O azul e vermelho sólidos, se destacam, mas há inúmeras variações e misturas. Na parede da direita, uma vidraça dá vista para o Memorial da América Latina. O sistema de som é tudo que se espera: forte, equilibrado, afaga os ouvidos. Até no banheiro escuro e apertado deste piso, há caixas acústicas sobre os mictórios.
![]() |
| Foto Divulgação |
![]() |
| Foto Divulgação |
- Na outra pista.
Chegando na pista antiga, aquela cena pareceu bastante retrô: as luzes que outrora eram modernas e vanguardistas, pareciam pálidas e oitentistas. Mas a culpa é da nova pista forrada de leds vigorosos que formam um conjunto vivaz.
O gringo estava tocando um tech house tingido de influência jazzy tão poderoso que naquele momento ficou claro que o que torna aquela pista especial é a junção dos três elementos: tecnologia, cenografia e música. E isso continua funcionando muito bem.
Depois do set de Schwarz, fui conhecer o terraço que é também a área de fumantes. Fica no último piso e é possível subir de elevador. É uma área grande e quando subimos as escadas, o reflexo dos espelhos se confundem com o céu aberto. Há sofás em toda extensão da parede do lado esquerdo. À direita, há uma parede de vidro transparente de pouco mais de um metro de altura onde não é permitido apoiar-se (os seguranças se encarregam de ficar de olho). Isso pareceu bastante ruim, pois dá uma idéia de que aquilo não é seguro. A vista é para o Memorial da América Latina. No fundo do terraço, há um banheiro feito dentro de uma caixa d’água de metal.
Saí de lá quase 8h da manhã e a festa não parecia ter hora para acabar. Espero que as próximas noites repitam o sucesso do Opening D-Edge 2.0. Semana que vem, estarei lá novamente.
O QUE MUDA:
- A entrada principal fica na na Av. Auro Soares de Moura Andrade, 141, na esquina da Al. Olga (a antiga entrada).
- Na saída, é possível pagar a comanda tanto nos caixas antigos quanto nos novos.
- A capacidade de público, no mínimo, dobrou (não foi divulgado o número oficial).
- É possível isolar ambientes para projetos distintos.
O QUE NÃO MUDA:
- O preço das bebidas (pelo menos foi o que me pareceu).
- As noites permanecem nos mesmos dias da semana.
- O banheiro da pista antiga continua unissex (tinha ouvido dizer que não haveria mais isso).
- O esquema “coloque o nome na lista” e receba um descontinho permanece.
-------------------------------------------------------- atualização do post
O QUE PODE MELHORAR:
- A parede de vidro do terraço precisa receber um reforço ou ser substituída
- Em noites de grande movimento, a entrada precisa ser agilizada. Ouvi relatos de pessoas no Facebook que ficaram duas horas na fila e não conseguiram entrar.
- A escada entre as duas pistas é bastante estreita.
- Colocar um cardápio de bebidas no bar da nova pista
O MELHOR FOI:
- A iluminação da nova pista. Aquilo é psicodélico.
- O terraço. Imagino que os fumantes se sentiram as pessoas mais felizes do mundo com aquele enorme espaço (antes era um cercadinho minúsculo na entrada do clube). Mesmo eu que não fumo, me senti muito bem ali.
- A música precisa falar?
O PÚBLICO:
- Gay friendly (isso é específico da sexta-feira).
- Patys de vestido curto e salto (bem) alto.
- Nerds de música eletrônica
LINKS
Site do clube
http://www.d-edge.com.br/
Entrevista com Renato Ratier para o portal Skol Beats
http://www.youtube.com/watch?v=EKJSIJCye6k
Henrik Schwarz no Portal Skol Beats (entrevista e vídeos da festa de inauguração do D-Edge 2.0)
http://www.youtube.com/watch?v=dgQ7RKb6rA4
http://www.youtube.com/watch?v=R06uYcPMJlg
http://www.youtube.com/watch?v=rm3BQ-GeZ34
+ Fotos
http://www.facebook.com/dedgeclub


2 comentários:
Estive por lá também, mas fui um dos primeiros a entrar então não tive tantos problemas... fui mais pra bater papo e conhecer a nova d-edge. Me sentí em casa no terraço! Conforto total (: Quanto aquele vidro... sinto que não vá ficar muito tempo. Dor de cabeça desnecessária... basta treliçar e jogar uma armação metálica e pronto. (:
Também estive na reenauguração ... a fila realmente foi punk ... mas a casa ficou tudo de bom...
Júlio
Postar um comentário