sábado, 18 de dezembro de 2010

BUENOS AIRES: KRAKOW, COCOLICHE E AMERIKA

Lanchinho pré balada, clube underground, nota de peso falsa e balada open bar: tudo o que rolou na minha primeira noite na capital portenha

Cheguei no Aeroporto Jorge Newbery (AEP) por volta de 22h. Depois de ser deixado no hotel por um taxista que se referia a Cristina Kitchiner como "la putana", fui comer um lanche no Krakow que fica na rua do hotel onde estou hospedado. O bar é bacana, possui diversos tipos de cervejas, drinks exóticos, bons lanches e bom preço: com pouco mais de $ 60,00 (sessenta pesos), duas pessoas podem comer um bom lanche ou porção e beber boa cerveja. O clima é amistoso, público variado, há pessoas jogando nas mesas e vez ou outra ouve-se o barulho de blocos do Jenga caindo no chão. Eu incluiria o Krakow no meu roteiro das próximas noites se lá tivesse garçons mais simpáticos e um cuidado maior com a música (a trilha sonora é executada pelo barman, no winamp de num netbook).

Krakow: para comer, beber e jogar
Depois o destino foi o Cocoliche, um lugar pequeno e underground num prédio da década de 1920 no bairro de San Telmo. Por $ 50,00 adentrei o clube que fica num prédio deteriorado, pichado e com teias de aranha nos cantos do banheiro. Lugar para quem sabe diferenciar techno de  house. Estava vazio. Já devia ser mais de 3 da matina quando saí de lá e fui para o último programa para encerrar meu primeiro dia na Big Apple latina (ok, essa comparação com Nova York nunca convenceu ninguém).

"Lá pode tudo". Foi assim que um amigo definiu o clube Amerika. Mas o que será que ele quis dizer com "pode tudo"? Localizado no bairro Almagro em Buenos Aires o Amerika é uma das baladas gay mais tradicionais da cidade. Foi lá que tomei conhecimento de ter recebido minha primeira nota falsa de peso: logo na entrada do clube, o rapaz do caixa recusou uma nota de $ 20,00 alegando ser falsa (e era de fato, recebi de um taxista "simpático" sem perceber).

No Amerika, a noite de sexta para sábado, custa $ 70,00 e o bar funciona no esquema "canilla libre", ideal para quem gosta de beber à  vontade sem preocupar-se com comanda, embora lá pelas 5 da manhã já se tem dificuldade de encontrar cerveja (dizem que a festa não acaba antes das 7). A cerveja, aliás, distribuída em copos descartáveis, foi minha única bebida da noite (optei por não me aventurar em outros drinks).

Eu costumo dizer que a música define o lugar e no Amerika não é diferente. O clube toca latin house (mas esqueça a sofisticação da turma da Cadenza Records). O som é uma espécie de lambada eletrônica e pode rolar até mesmo Ivete Sangalo ou Xuxa - esta, em espanhol, claro.

Imagine pessoas que cantam e dançam felizes, saltitantes. Pode ser bailando sozinhas, mas também casais improvisando passos (eu devia ser adolescente quando fui na útlima balada em que as pessoas dançavam em par). E se no Amerika pode tudo, pode homem dançando com mulher, homem com homem, mulher com mulher, travesti com ambos e todas as demais combinações possíveis são aceitas. E a coisa toda se dá de verdade na  pista principal que conta com palco e shows de drags. Tem uma pistinha no piso de cima tocando house, variando tech e progressive em meio ao set de tribal. As demais áreas da casa, como aquela onde pode tudo mesmo, nem fui.

¡Hola! ¿Qué Tal? Yo soy La Barbi!
E o Amerika é isso: pessoas passando do ponto e perdendo a elegância (é open bar, lembra?), mas dançando como se não houvesse amanhã, cantando junto, rebolando e sendo felizes. Não devo voltar lá, mas era necessário conhecer o clube. É a diversidade dentro da diversidade, um lugar para cantar e dançar sem ter vergonha, sem medo de ser feliz. Um lugar 100% jogação e 0% carão.

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